A primeira coisa que me perguntam sobre o livro é a motivação o nome. Entendo as perguntas. Além do nome ser estranho, o livro não tem nada a ver com o mesmo. O trecho em que surgem os camelos é só um trechinho de transição que, talvez sem o nome do livro em mente, passaria sem marcar pelos leitores.
“Tristes Camelos” é um livro sobre ausência. Em todos os tipos e estágios, estando ou não perto do que motiva a ausência. Focando principalmente nessa ausência estando lado-a-lado com a pessoa. E os camelos representam exatamente o extremo da ausência.
Quando pequeno, fui ao Zoológico aqui do Rio com meu pai. Não era a primeira vez que estava lá e nada sobrou na mente além do que vi na jaula dos camelos. Era um filhote e um adulto, não sei se mãe ou pai, e ambos estavam estáticos, olhando para quem os olhava com o olhar da maior solidão. Como se esperassem que de lá voltasse aquele que não estava lá.
O olhar deles é uma das coisas mais tristes que vem na minha cabeça quando penso em ausência. Iria contar isso no livro, mas não saberia descrever.
Deixei então o título como aquilo que senti. Gosto dessas dúvidas que foram criadas e espero que as pessoas decidam o que pra elas, e não pra mim, são esses camelos simbólicos